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sexta-feira, 9 de março de 2018

Cirurgias Ortopédicas Comuns - 2ª Parte


O pioneiro em cirurgia ortopédica pediátrica canadense, Robert Bruce Salter, falecido em 10 de Maio de 2010,  assim se expressa no livro que escreveu – Distúrbios e Lesões do Sistema Musculoesquelético: “Como resultado do conhecimento clínico e experimental, melhores técnicas cirúrgicas e anestésicas, intervenções cirúrgicas abertas têm desempenhado papel cada vez mais importante no tratamento dos distúrbios musculoesqueléticos e das lesões traumáticas.

No entanto, você perceberá que a forma cirúrgica de tratamento está indicada apenas para certos problemas musculoesqueléticos específicos. Muitos pacientes podem ser tratados com sucesso sem operação e, portanto, não necessitam dela, enquanto outros não podem ser ajudados por uma cirurgia e por isso não devem ser submetidos a ela.”


No módulo 3 – Doença Musculoesquelética - do e-Book ilustrado de Semiologia Ortopédica  - vimos a descrição dos tipos de tratamento ortopédico, em especial os tratamento cirúrgicos   

  Manipulação / Redução / Fixação
       Artroscopia / Cirurgia minimamente invasiva
          Cirurgia aberta

O Dr. Robert Salter ensina que “as operações cirúrgicas têm o potencial de oferecer grande benefício ao paciente, mas trazem também um grande potencial de lhe causar dano.
Assim as indicações e contraindicações das várias intervenções cirúrgicas, devem ser completamente consideradas pelo cirurgião ortopédico que é primariamente um clínico e  é treinado e ensinado a como operar, quando operar e, mais importante, quando não operar.

Dr Salter era categórico ao afirmar: “Assim a decisão é mais importante do que a incisão.”
“Os objetivos das operações cirúrgicas para as condições musculoesqueléticas incluem alívio da dor, melhora da função e da capacidade, e a prevenção ou a correção da deformidade.

Os métodos gerais do tratamento cirúrgico através dos quais estes objetivos são alcançados envolvem várias combinações de reparos, reinserções, liberações, ressecções (excisões), reconstruções, estabilizações, substituições, alinhamentos, transferências, fixações e fusões dos tecidos afetados.
Para cada método geral existem vários métodos específicos, e para cada método específico existe uma variedade de técnicas cirúrgicas.”


Finalizando seus comentários o Ortopedista Canadense Prof. Dr. Salter chama a atenção para o fato de que “como um estudante de medicina ou um médico clínico praticante, você deve conhecer os métodos cirúrgicos disponíveis, mas você não necessita saber os detalhes das técnicas cirúrgicas.”

Métodos Cirúrgicos                     Exemplos de procedimentos

Reparo - Tenorrafia, reparo de menisco, de ligamento, de cartilagem articular.                   
Liberação ou descompressão - Miotomia, tenotomia, fasciotomia, capsulotomia, tenólise.
Ressecção ou remoção - Sinovectomia, meniscectomia, capsulectomia, laminectomia.
Realinhamento ou estabilização - Transferência de tendão, tenodese, osteotomia, capsulorrafia.
Reconstrução ou substituição - Tenoplastia, condroplastia, artroplastia, reconstrução ligamentar.
Fusão por união óssea - Artrodese, redução aberta com fixação interna.



Embora a finalidade primordial deste Blog seja as postagens sobre a “Semiologia do Aparelho Locomotor” na continuação apresentamos um.

Panorama das Cirurgias Ortopédicas Comuns
   (A)  Preparação da Cirurgia Ortopédica
1-      Planejamento
2-      Esterilização (da sala cirúrgica, do instrumental, da equipe cirúrgica, do campo operatório)
3-      Controle radiológico ( trans-operatório)
4-      Equipamento
5-      O “Campo exangue”



Instrumental cirúrgico da Association for Osteosyntises




PLANEJAMENTO - As cirurgias dos ossos devem ser cuidadosamente planejadas com antecedência, efetuando-se medidas acuradas e comparação entre os ossos de um membro, quanto a sua simetria, com os do membro oposto.

ESTERILIZAÇÃO. A necessidade de esterilização na cirurgia óssea é ainda maior que na cirurgia de tecidos moles; a infecção de qualquer ferimento representa um retrocesso, mas uma infecção óssea (osteomielite) pode ser desastrosa.

A correta esterilização é feita com os protocolos adequados dos Centros de Esterilização de Material.

CONTROLE RADIOLÓGICO. Procedimentos que envolvam o realinhamento de ossos e articulações ou a instalação acurada de hastes, pinos e fios metálicos deve sempre ser checada por meio de radiografias intra-operatórias em pelo menos duas incidências ,e , preferencialmente, a fluoroscopia com a visualização de imagem.

EQUIPAMENTO. As cirurgias ósseas necessitam de instrumentos especiais, sendo indispensáveis brocas (para a perfuração de cavidades), osteótomos (para o corte de porções ósseas inutilizadas), serras (para o corte de osso cortical), cisalhas (para dar forma aos ossos), goivas (para a remoção de tecido ósseo) e lâminas de bisturí, parafusos de osso cortical e osso esponjoso e chaves de fenda (para a fixação de ossos).

O "CAMPO EXANGUE". Muitas cirurgias dos membros podem ser executadas mais rápida e acuradamente se o sangramento for evitado por meio de um torniquete. Este deve ser sempre um manguito pneumático, que é aplicado sobre tecidos moles de caráter volumoso, a fim de se evitar pressão sobre os nervos; deve ser inflado a não mais que 100 mmHg acima da pressão sistólica e ser removido dentro de duas horas; sempre que possível, deve ser retirado antes de o ferimento ser suturado, para que se possa controlar o sangramento e evitar um hematoma pós-operatório "silencioso". A pressão excessiva ou prolongada pode provocar lesão nervosa ou muscular permanente (Klenerman, 1980).


Instrumental Cirúrgico Ortopédico

Os médicos e cirurgiões que assistem pessoas visando manter ou restabelecer apropriadamente a estrutura do corpo e suas funções são conhecidos como Ortopedistas.
São profissionais da medicina preocupados com as questões de correção ou prevenção de deformidades, desordens, danos no esqueleto e outras estruturas associadas, tais como, tendões e ligamentos.

 O preparo de instrumentais cirúrgicos para ortopedia requer habilidades e conhecimentos especializados. O manuseio apropriado durante a limpeza, inspeção e testes destes instrumentos asseguram o desempenho acurado dos mesmos e um resultado positivo para o paciente.

O funcionamento do esqueleto envolve a forma ou a reforma dos ossos, o mais duro e mais denso tecido humano. Grandes instrumentos resistentes e, normalmente, perfuro-cortantes são necessários nos procedimentos ortopédicos. Instrumentais delicados também são utilizados, entretanto, os instrumentos necessários para dividir, retrair, levantar e reparar os tecidos leves das estruturas ósseas são menores e mais leves.

Tal contraste exige atenção especial no manuseio, transporte e montagem das caixas de ortopedia (containers) para evitar danos nestes instrumentos.
Tais instrumentos são projetados para cortar e dar formas aos ossos, fato que deve ser considerado durante o manuseio, pois a segurança se faz necessária, tanto para cirurgiões e para os profissionais de Centro de Esterilização de Material.

 As luvas de látex não são protetoras contra este tipo de lâminas cortantes. Todos os profissionais que manuseiam estes tipos de instrumentos perfuro-cortantes devem estar conscientes de que precisam se proteger e também proteger os usuários contra possíveis acidentes e danos à saúde (riscos biológicos de infecção), através da aderência aos protocolos de segurança estabelecidos na unidade de saúde.

Todas as peças móveis devem ser inspecionadas para limpeza apropriada. Lembre-se, osso é um tecido vivo e deve ser manuseado com instrumentos limpos, esterilizados e funcionando apropriadamente. Falhas nesta condição podem comprometer o sucesso da cirurgia no paciente.

O cirurgião ortopedista pode manipular reparar ou substituir partes dos ossos para melhorar a qualidade de vida do paciente. Ossos (tecido vivo) devem ser manuseados com respeito e cuidado, o que requerer instrumentos de qualidade, que estejam funcionando apropriadamente, que estejam conservados embalados e esterilizados conforme procedimentos operacionais padrão - este é o objetivo de um Centro de Esterilização de Material, pois seus esforços são a base do sucesso para uma cirurgia ortopédica.


Fontes:
1)-  Kisner, C.; Colby, L.A.;Therapeutic Exercise – Foundations and Techniques – 2007, 5 th edition, FA Davis Company, Philadelphia, Pennsylvania.
2)- Salter, R.B.; Textbook of Disorders and Injuries of the Musculoskeletal System – 1999, Third Edition – Williams & Wilkins.
3)- Carvalho,J.A. ; Amputações de Membros Inferiores – 2ª edição – 2003 – Editora Manole.
4)- Brandão, J.M.; Fundamentos da Cirurgia Ortopédica. http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/traumato/cirurgia_ortopedica/cirurgia_ortopedica.htm  , acessado em 01 de Agosto de 2013.
5)- Fernandes, J.H.M.; e-Book ilustrado de Semiologia Ortopédica – módulos 3 e 4


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