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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A SÍNDROME DO IMOBILISMO

Milene Silva FerreiraDoutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

A Síndrome do Imobilismo é caracterizada por alterações nos diversos tecidos e sistemas orgânicos secundárias ao repouso prolongado, podendo ser sistêmicas ou segmentares. Várias condições patológicas podem levar ao imobilismo, como: doenças neurológicas, ortopédicas, reumatológicas, cardiopulmonares, má nutrição, patologias dos pés, quadros dolorosos, alterações psicoafetivas, demências, neoplasias, vestibulopatias etc.


A prevenção de tais complicações deve ser o princípio básico de qualquer plano de tratamento, visto que muitas das alterações secundárias à síndrome do imobilismo são irreversíveis. É fato que tais complicações se instalam rapidamente, ao passo que a recuperação se dá de forma lenta e dificultosa.
Quando se fala de imobilismo, o pensamento deve se voltar não só ao paciente confinado  ao leito, mas também se deve lembrar dos dependentes de cadeira de rodas e dos imobilismos segmentares, como, por exemplo, na fratura de Colles durante a manutenção de uma tala gessada e do gesso circular, quando deve haver a preocupação de se manter íntegras as demais articulações.
No caso de a restrição ao leito não poder ser evitada, várias medidas devem ser tomadas a fim de prevenir ou, ao menos, minimizar as complicações, diminuindo o tempo de internação e propiciando a reabilitação posterior do indivíduo.
Alterações por tecidos
Tecido Conjuntivo – Com uma semana de imobilização inicia-se a troca das fibras colágenas tipo III pelas tipo I, de tal forma que em três semanas há um predomínio das fibras tipo I que se caracteriza por ser um colágeno mais denso. As fibrilas recém-formadas fazem ligações entre si, criando fibras de colágeno mais espessas e mais longas (fenômeno do rearranjo), alterando sua estrutura básica e consequentemente sua propriedade elástica. Quantitativamente, observa-se diminuição da massa total de colágeno com perda de aproximadamente 5% em nove semanas e 25% em doze semanas. Há também alterações qualitativas e quantitativas dos glicosaminoglicanos. Estas alterações favorecerão as contraturas.

Tecido MuscularDiminuíção no nível de glicogênio e ATP, diminuindo a endurance (resistência muscular). Comprometimento da irrigação sanguínea, pela diminuição da atividade muscular, levando à diminuição da capacidade oxidativa. Diminuíção da síntise proteica, levando à atrofia muscular. Diminuíção da força muscular de 10% a 15% por semana, com incoordenação pela fraqueza muscular generalizada. Ocorrência de dor pelo processo inflamatório tecidual que se forma, com liberação de substâncias algogênicas que estimulam os nociceptores locais. Diminuíção do número de sarcômeros, propiciando contraturas.


Tecido ArticularO líquido sinovial lubrifica e nutre a cartilagem, mas necessita do movimento para que haja circulação dos nutrientes, síntise e degradação da matriz, e estímulo aos sensores elétricos e necânicos da articulação. Portanto, com a inatividade, há atrofia da cartilagem, espessamento da sinóvia, fibrose capsular e diminuição da propriocepção.
Tecido Ósseo – Diminuíção da massa óssea total devido ao aumento da atividade osteoclástica e diminuição da atividade osteoblástica (a depender da força de tensão aplicada ao osso por tração tendínea e força da gravidade); aumento da excreção de cálcio pelo aumento da reabsorção e diminuição na absorção intestinal de cálcio. A hipercalciúria e a osteoporose são frequentes, mas a hipercalcemia é menos comum, ocorrendo nos casos de imobilismo associado à insuficiência renal. A calcificação heterotópica também é uma complicação que deve ser lembrada. A calcificação heterotópica não é uma entidade rara como se imagina, e sim pouco diagnosticada, e constitui uma grande causa de deformidade e incapacidade.


Tecido Nervoso Sensorial – A privação sensorial leva a ansiedade, depressão, insônia, agitação, irritabilidade, desorientação temporoespacial, diminuição da concentração e diminuição de tolerância à dor.
Tecido Cutâneo – Atrofia da pele e úlceras de decúbito influenciadas por: pressão, idade, umidade, estado nutricional, edema, condições metabólicas, alterações sensitivas, efeitos neurotróficos e aplicação de forças transversais associada ao aumento da fragilidade da pele. Uma das principais complicações do repouso prolongado são as úlceras de pressão cujos principais locais de acometimento são: o sacro, trocanter femoral, tuberosidade isquiática, ângulo da escápula e calcâneo).
Conclusão
Diante de todas essas complicações fica clara a importância de se evitar o imobilismo prolongado e/ou de se investir nas medidas preventivas quando a restrição ao leito não pode ser evitada. As alterações secundárias à síndrome de imobilidade devem ser de conhecimento de toda a equipe de saúde que trabalha com o paciente, pois a abordagem deve ser global, diária e contínua. A intervenção preventiva já provou diminuir tempo de internação, morbimortalidade e sequelas incapacitantes, garantindo máxima recuperação funcional e reintegração social.

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