Marcadores

acessos (3) Acidentes (3) Anatomia (4) Articulações (4) Artralgia (1) Artrite (11) Artroscopia (1) Artrose (3) Atrofia muscular espinhal (1) Aula (1) Avaliação (3) Backhand (1) bioimpressora (1) Bursite (1) cartilage (1) Cartilagem (2) Cervical (2) Ciclistas (1) Cifose de Scheuermann (1) cinesiologia (2) cirurgia (2) claudicante (1) CMT (1) Cobb (1) Coluna Lombar (3) Coluna Toráxica (1) Coluna Vertebral (4) Corpo Humano (8) Cotovelo (2) criança (1) Crônica (1) Curiosidades (4) Dedo em Gatilho (3) Degenerativa (1) Descobertas (1) Diabetes (3) diabética (2) Diagnóstico (12) Dicionário (1) Diconário (1) Dissecação (1) Distensão (1) Doença (13) Dor (6) Dupuytren (1) Edital (1) Elliot Krane (1) esclerose múltipla (1) Escoliose (2) Espondilite (2) Espondilolistese (2) Espondilose (2) Estiloide (1) Estudo (2) Eventos (2) exame clínico (7) Exame físico (12) Exosesqueleto (1) Fêmur (1) Fibromialgia (1) Finkelstein (1) fixadores (1) flexores (1) Forehand (1) Fratura (7) Gessado (1) Glasgow (1) Gota (1) Hérnia de Disco (1) impressão 3D (1) Inflamação (1) Joelho (12) knee (5) Lasègue (1) Lesões (11) Lombalgia (1) Lombar (2) Manguito Rotador (1) Manual (1) mão (5) marcha anormal (1) Medicina (6) Médico-Paciente (2) Mellitus (1) membros inferiores (4) Membros Superiores (2) motor (1) Movimento (3) Mulher (1) Musculoesquelética (3) Músculos (2) Nervo (5) Neurológico (2) Neurônio (1) Ombro (6) órgãos (1) ortopedia (2) Ortopédico (3) Óssos (4) Osteoartrite (4) Osteocondrite dissecantes (1) Osteocondrose (1) osteomielite (2) Osteonecrose (1) osteoporose (2) Paralisia Cerebral (2) (7) pé torto congênito (1) Perna (3) Pérolas Clínicas (1) Perthes (1) Phallen (1) Poliartrite (2) Postura (1) Postura médica (1) Prognóstico (1) prótese (3) Psoríase (1) Quadril (2) questões resolvidas (2) Recém Nascido (1) Relação (1) Reumáticas (3) Reumatóide (3) RN (1) SBOT (2) Schober (1) Sensitivas (1) Tecnologia (3) tendão (2) tendinite (3) Tenossinovite (1) TEOT (1) Testes (14) Tornozelo (2) Tratamento (4) trauma (2) Trendelenburg (1) Trigger Finger (1) Tumores (1) Túnel do Carpo (2) Ulnar (1) Úmero (1) vídeo (8) Vila Olímpica (1)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

ARTRITE SÉPTICA- Generalidades



Conceito

A artrite séptica vai acontecer da seguinte forma: você vai ter uma infecção bacteriana, ela vai ser causada por bactérias piogênicas, infecção produtora de secreção purulenta. É uma emergência no pronto-socorro. Não é um assunto que somente o ortopedista tem que saber; geralmente quem reconhece isso aqui é o pediatra, que vai encaminhar para o ortopedista para que seja feito o tratamento.

Epidemiologia

A artrite séptica vai acometer todas as idades, desde o prematuro até 9/10 anos de idade, porém a maior freqüência é de 1 a 2 anos de idade. E o RN prematuro é mais suscetível, por questão de defesa mesmo. Acomete todas as faixas etárias, guardem isso!! Até mesmo em adultos podemos ver essa patologia, teoricamente. Várias vezes eu já vi acontecer até por punção articular simples, devido a uma assepsia pouco cuidadosa que leva uma infecção lá para dentro (iatrogenia). É duas vezes mais freqüente no sexo masculino, mas isso não quer dizer muita coisa, pq temos que investigar todo mundo. A articulação do quadril é a mais envolvida.

Organismos etiológicos

- Você pode ter também infecções atípicas, estas até podem acontecer no prematuro, ou então com outras doenças associadas, com HIV, etc, mas o usual é o que eu vou mostrar aqui.
- RN: Staphylococcus aureus. Mais de 60%.
- De 01 mês a 03 anos: Haemophylus influenza é o mais freqüente, seguido de Staphylococcus e Streptococcus.
- Maior de 03 anos: Staphylococcus aureus e Streptococcus.
- Em recém nascido e criança acima de 03 anos, é mais ou menos a mesma incidência de microorganismo.


Quadro clínico

- Dor. A maior queixa que a mãe vai ter é que a criança está com dor, está mancando, febre alta, essas coisas. Mas o RN não vai apresentar quase nada disso, você tem uma defesa muito pequena, com uma contratura em flexão do quadril que você tem que sustentar. RN muitas vezes não vai te dar tanta informação assim, o sistema imune dele não vai ser preparado pra ter tanta defesa.
- Marcha antálgica: a criança vai estar mancando
- Irritabilidade
- Desidratação
- Anorexia e perda de peso
- Febre. Geralmente até superior a 40 graus, o usual é isso, a criança vai estar toxêmica.
- Derrame articular e sinais flogísticos.
- Contratura muscular.
- Pseudoparalisia.
Ela não mexe, ela não se movimenta. Automaticamente se movimentar dói.


Diagnóstico

- Se eu tenho clínica importante, exame laboratorial e radiológico, o que vou fazer agora é aspirar a articulação com agulha. Vou observar o líquido, o primeiro a se fazer é a inspeção. Se for secreção purulenta, vou fazer uma análise laboratorial, fazer uma bacterioscopia, faz esfregaço, gram, cultura. Só vai dar positivo em 30% dos casos. Mais um problema para nós. Cultura para você aguardar o crescimento da bactéria para vc identificar, dependendo do tipo de bactéria que crescer você vai ter um tipo de antibiótico específico, mas isso demora alguns dias, mas não vou esperar para entrar com o antibiótico. Pela faixa etária, vou ver o tipo de microorganismo mais freqüente e vou entrar com aquele antibióico.
- Leucocitose. Eu posso ter um aumento na contagem de leucócitos no líquido sinovial. 90% ou mais de polimorfonucleares. Redução dos níveis de glicose no líquido sinovial de 50 ml em relação à glicemia.


Exame de Imagem

- RX: distensão da cápsula articular com subluxação ou luxação. Então você vai ver um espaço articular alargado. Nem sempre vou ver isso. O certo é fazer o diagnóstico precoce, eu não posso deixar chegar nessa alteração! Se chegar nisso fica fácil de eu ver. O tratamento tem que ser precoce, pq isso aqui é urgente.
- US: muitas vezes você faz US para mostrar líquido na cavidade. Só que esse líquido pode ser uma secreção purulenta. Ele pode ser reacional. Eu posso ter uma osteomielite no meu fêmur e, por ser a metáfise intrarticular, produz líquido sinovial, mas eu punciono e é estéril. Então é um somatório e bom senso.
- Cintilografia: tem alta sensibilidade e baixa especificidade. Detecção precoce.
- TC e RM vão ser úteis pra mim na sequela, já deu problema. A infecção já virou osteomielite, ou já deu problema na cabeça do fêmur, etc. Eu quero ver a extensão dessa lesão. Isso é adicional, o diagnóstico é mais clínico.


Diagnóstico diferencial

Clínica, laboratorial e de imagem muito parecidos com artrite séptica.
- Osteomielite
- Artrite reumatóide, caso seja monoarticular. O número de polimorfonucleares é bem menor, não tem aspecto de pus, posso ter depósito de cristal.
- Sinovite transitória. É o mais freqüente. A criança chega mancando, tá com defesa, tá com flexão do quadril. Já tem uns 2 ou 3 dias, febre não muito alta, dor, calor, tá com atividade inflamatória mas não é infecção. Você observa a criança e de 1 dia para o outro ela melhora, eu só sei que é transitória na hora que eu mandar ela para casa bem. Então uma sinovite transitória, até que se prove o contrário, pode ser uma artrite séptica.
- Celulite, que é um processo inflamatório, infeccioso. É superficial, pega o subcutâneo.
- Artrite hemofílica: um derrame articular, problema na cascata de coagulação da criança. Não é tão freqüente.
- Psoíte. Eu posso ter contraturas em flexão ou atividade inflamatória simples do músculo psoas, que tem origem na coluna lombar e inserção no fêmur proximal.
- Abscessos retro-peritoneais.
- Febre reumática. Em várias articulações. Tem caráter migratório.





domingo, 22 de maio de 2016

A dor musculoesquelética crônica está relacionada a longo prazo a um aumento do risco de morte por câncer e por doença cardiovascular

Autores

J. McBeth1, DP Symmons1, AJ Silman1, 2, T. Allison3, R. Webb4, T. e Brammah5 e G. J. Macfarlane6

Objetivos.

Para testar a hipótese de que os indivíduos com desordens de dor regional e generalizada têm um risco aumentado de mortalidade.

Métodos.
Foi realizado um estudo de coorte prospectivo de 4.515 adultos.
 Os indivíduos eram uma amostra com idade estratificada por sexo que haviam participado um estudo populacional de ocorrência de dor durante 1996.

Com base nesses relatórios os indivíduos foram classificados como tendo ausência de dor, dor regional ou dor generalizada.

Todos os indivíduos foram identificados no Serviço Nacional de Saúde Central.
 Seguiu-se até abril de 2005, um total de 8,2 anos, tempo em que a informação foi obtida sobre o estado vital, e se a data aplicável era causa da morte.

A relação entre a dor e a posterior morte é expressa como taxas de mortalidade com ICs de 95%, ajustado para idade, sexo, etnia e prática.

Resultados.
 Um total de 35,2% relataram dor regional e 16,9% tiveram satisfeitos os critérios para a dor generalizada.

Houve um risco de 20% e 30% maior de morrer durante o período de acompanhamento entre os indivíduos com dor regional e generalizada, respectivamente, em comparação com aqueles sem dor.

As causas específicas de morte em excesso foram por câncer e doenças cardiovasculares.

Além disso, o risco de mortalidade por câncer e dornçs cardiovascular foi aumentado à medida que os sujeitos relataram aumento do número de locais com dor.

Conclusões.
 Este estudo suporta uma observação anterior de que as pessoas com dor crônica regional e generalizada têm um risco aumentado de morte por câncer.

Mecanismos possíveis devem ser explorados.


PALAVRAS-CHAVE: dor musculoesquelética, mortalidade, câncer, cardiovasculares, Epidemiologia, estudo de base populacional prospectivo.

Fonte: Rheumatology 2009; 48: 74-77

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A Criança Claudicante

Introdução
Claudicação é uma marcha anormal. É um achado importante do exame físico e, muitas vezes, a queixa inicial ou única do paciente, sendo fundamental identificar a sua causa para indicar o melhor tratamento. A história clínica e o exame físico geralmente nos sugerem o diagnóstico, que se confirma, na maioria das vezes, com o raio X.

Avaliação Clínica
Na história clínica, deve-se investigar a idade da criança, tempo de evolução, forma de início, sintomas associados, se é intermitente ou transitória, período de predileção, relação com atividade física, e se deixa de fazer atividades prazerosas ou de brincar. No exame físico, deve-se despir toda a criança e observá-la caminhando,fazendo-se uma análise geral da marcha procurando por anormalidades óbvias, tentando identificar qual lado, articulação ou segmento ósseo está
sendo comprometido, e se o membro superior também está comprometido. Solicitar ao paciente que corra, já que muitas vezes uma discreta claudicação se acentua na corrida, tornando mais evidente o local de origem. Em seguida, examina-se o paciente na maca. Não esquecer do exame físico geral (estado geral, temperatura, coloração e hidratação das mucosas, etc.). Na inspeção, procurar por pregas cutâneas extras, eritema ou manchas café com leite. Palpar todo o membro inferior procurando por
calor, aumento de volume, dor a palpação localizada e derrame articular.Avaliar o arco de movimento de cada articulação separadamente, sempre comparativamente ao lado oposto. A mensuração e o trofismo dos membros inferiores podem nos fornecer informações valiosas. O exame neurológico completo é fundamental para descartar doenças neurológicas. O exame da coluna vertebral deve ser realizado tanto de pé quanto deitado, na procura por desvios, dor a palpação localizada e avaliando-se a sua mobilidade. A articulação sacro-ilíaca também deve ser palpada e avaliada através do teste de Fabere.

Diagnóstico Diferencial

Para orientar o raciocínio, três perguntas devem ser feitas: A criança apresenta dor, rigidez ou limitação funcional? Há quanto tempo a criança está claudicando? Qual a idade da criança?





Crianças de 1 a 4 anos

O diagnóstico diferencial entre infecção (artrite séptica, osteomielite), sinovite transitória e artrite reacional é muitas vezes difícil, porém é importante pois a conduta difere totalmente. A presença de febre acima de 38 o C sugere infecção, mas sua ausência não a descarta. As radiografias são geralmente normais, apresentando alterações destrutivas somente após 7 a 10 dias de evolução. O VHS acima de 90mm é sugestivo de infecção, porém, também está levemente elevado na sinovite transitória. A proteína C reativa é um excelente marcador, pois eleva-se rapidamente nas infecções (10 a 50 vezes), no entanto, outro foco infeccioso ou mesmo trauma podem elevá-la. O ultrasom é operador dependente e responde apenas se há líquido ou não dentro da articulação, mas não define se é pús. A cintilografia é um excelente exame para o diagnóstico e localização do processo inflamatório ou infeccioso. A aspiração da articulação e/ou do osso, com saída de pus, é o procedimento que confirma o diagnóstico. Se a sua análise macroscópica não for suficiente, a análise citológica, bacterioscopia e cultura poderão nos auxiliar. A discite pode manifestar apenas claudicação, sem mais nenhum outro sintoma ou alteração laboratorial. No exame físico, a coluna vertebral está rígida. A cintilografia óssea ou a ressonância magnética confirmam o diagnóstico.
Nesta faixa etária, as fraturas são freqüentemente conseqüentes a traumas de baixa energia, podendo-se perceber apenas discreto edema e dor a palpação local. A radiografia inicial pode não mostrar o traço de fratura, o que é freqüente nas fraturas da tibia ou que comprometem a placa de crescimento (fraturas tipo I de Salter-Harris). Na luxação congênita do quadril a criança não apresenta dor, claudica desde o início da marcha, apresenta discrepância dos membros inferiores, sinal de Trendelemburg positivo e limitação da abdução do quadril luxado. O raio X faz o diagnóstico. A discrepância dos membros inferiores é identificada no exame físico e confirma-se pela escanometria, sendo importante identificar a sua causa. Doenças neurológicas são suspeitadas por um exame neurológico completo.

Crianças de 4 a 10 anos

A doença de Legg-Calvé-Perthes é a necrose avascular idiopática da epífise femoral proximal e ocorre dos 4 aos 8 anos, podendo aparecer dos 3 aos 11 anos de idade. A criança costuma apresentar queixa de claudicação indolor e, após alguns meses de evolução, limitação da abdução e da rotação interna do quadril comprometido, além de hipotrofia da coxa ipsilateral. O raio X faz o diagnóstico, com exceção da fase mais precoce da doença, quando é necessário cintilografia óssea ou RNM para confirmar o
diagnóstico. As apofisites de tração, ou síndromes de overuse, aparecem principalmente após os 8 anos de idade, em crianças geralmente ativas, que queixam de edema e dor a palpação localizados, principalmente após atividade física. Seu curso é benigno e autolimitado, necessitando na maior parte das vezes, apenas limitação das atividades até que haja a resolução da doença. O raio X, compatível com a história e o exame físico, fecha o diagnóstico. Ganham epônimos, dependendo do local  acometido. Como exemplo: Sever no calcâneo e Osgood-Schlater na tuberosidade anterior da tíbia.

Crianças de 10 a 16 anos

A epifisiólise proximal do fêmur é a doença mais comum do quadril no adolescente. São crianças geralmente obesas, que se queixam de dor no quadril ou na coxa, de iníco agudo ou insidioso. É bilateral em 30% dos casos. Ao exame físico apresentam dor e limitação da rotação interna do quadril. O diagnóstico é confirmado com o raio X, porém nos casos de pré deslizamento, o raio X é normal e a cintilografia confirma o diagnóstico. Fraturas por stress são causa frequentes em adolescentes atletas de
competição. Geralmente não há trauma específico, e o aspecto radiológico pode ser facilmente confundido com tumor. Tumores malignos podem permanecer assintomáticos por algum tempo antes da apresentação. Os pais costumam associar a trauma leve e, no início, podem não apresentar sinais sistêmicos. O raio X faz o diagnóstico.

Leitura Recomendada

1. Hensinger RN. Limping. Pediatr Clin North Am 1986;33(6):1417-26.
2. Morrissy RT, Weinstein SL. Lovell and Winter's Pediatric Orthopedics.
5 th ed. Philadelphia: Lippincott Williamns & Wilkins; 2001.
3. Staheli LT. Fundamentals of Pediatric Orthopedics. 2 nd ed.
Philadelphia: Lippincott-Raven Publishers; 1998.

Artigo escrito por:
André Luís Fernandes Andujar
Especialista em Ortopedia Pediátrica e Cirurgia da Coluna Vertebral do Hospital Infantil Joana
de Gusmão Florianópolis-SC
Endereço para contato:
Rod. Gilson da Costa Xavier, 286
Santo Antônio de Lisboa
88.051-000 – Florianópolis-SC
E-mail: andujar@matrix.com.br

terça-feira, 17 de maio de 2016

Pé Torto Congênito

Pé Torto Congênito



Pé torto congênito (PTC) idiopático é a denominação utilizada para um conjunto de deformidades presentes no pé da criança ao nascimento. Trata-se de uma das principais malformações do sistema musculoesquelético, que clinicamente caracteriza-se pelo equino do retropé, varo do calcâneo, cavo, adução e supinação do médio e antepé. Essas alterações anatômicas e morfológicas encontradas envolvem todos os tecidos musculoesqueléticos abaixo do joelho, não se restringindo ao pé.

Tem como sinonímia pé equinovaro congênito, pé torto idiopático, talipe equinovaro e pé equino-cavo-varo-supinado idiopático. Essa malformação pode ser isolada ou associada a outras patologias, tais como doenças neuromusculares, artrogripose, síndromes e alterações cromossômicas. A incidência de PTC na população geral varia entre 1 e 2 casos para cada 1.000 nascidos vivos.
Há predominância no sexo masculino na porporção de 2:1 e o acometimento é bilateral em aproximadamente 50% dos casos. O lado direito tem ligeira predominância quando comparado com o lado esquerdo. As alterações no PTC resultam do mau alinhamento er das deformidades dos ossos, associados à retração das partes moles. O tálus é o principal responsável na gênese da deformidade. Seu colo encontra-se menor e curvado em direção plantar e medial.

O diagnóstico do PTC é clínico e de fácil realização, uma vez que as deformidades são típicas (equino, varo, cavo e aduto). O diagnóstico deve ser realizado o mais precoce possível até mesmo no berçário, procurando sinais de outras anomalias congênitas, que podem estar associadas, como doenças neurodisplásicas, sindrômicas e displasia do desenvolvimento do quadril.
A borda lateral do pé está aumentada em relação à medial, podendo apresentar prega cutânea plantar pronunciada. O calcâneo encontra-se em equino e hipoplásico sobre o tálus, que é palpável na região lateral do dorso do pé. O tubérculo do navicular está localizado medialmente abaixo do maléolo tibial.
O tendão calcâneo está retraído e tenso na região posterior do tornozelo.
Além das deformidades clássicas observa-se atrofia da perna, tamanho menor do pé e encurtamento do membro afetado, que poderão persistir independentemente do tratamento instituído, tornando-se mais visíveis nos pacientes com a patologia unilateral. A torção tibial interna pode estar presente, entretanto é mais bem observada à medida que a criança cresce.

O PTC pode ser classificado de três formas:

  1. Postural: flexível e corrige com manipulação ou necessita apenas de algumas trocas de gesso para obtenção da correção das deformidades.
  2. Idiopático: as deformidades são mais estruturadas e rígidas, não se corrigem com a manipulação.
  3. Teratológico: caracteriza-se pela rigidez, associação com síndromes principalmente atrogripose múltipla congênita, com alto índice de recidivas e dificuldade de correção.



O exame radiográfico não tem grande importância para o diagnóstico do PTC no recém-nascido, pois este é essencialmente clínico. Entretanto, é útil para acompanhar a evolução do tratamento e análise dos resultados.

Fonte:- Monteiro,A.C.; Pé Torto Congênito in Cohen,M.; Mattar Junior,R.; Garcia Filho, R.J.; - Tratado de Ortopedia – Comissão de Educação Continuada da SBOT, Editora Roca Ltda. - 2007

*Convido o prezado leitor a acessar o Módulo 19 – Tornozelos e Pés do Hipertexto Ilustrado de Semiologia Ortopédica existente nesse blog para expandir os conhecimentos sobre o tema apresentado.

sábado, 14 de maio de 2016

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Desigualdade no comprimento dos membros inferiores

Segundo a Sociedade de Reconstrução e Alongamento dos Membros e a Sociedade Pediátrica Ortopédica da Améica do Norte, as diferenças entre os comprimentos dos membros superiores e/ou inferiores são chamadas de desigualdades de comprimento dos membros.

Exceto em casos extremos, as diferenças de comprimento dos membros superiores causam pouco ou nenhum problema como a função dos braços. Portanto, este artigo versará sobre as diferenças de comprimento nos membros inferiores (nas pernas).

Incidência
Uma diferença de comprimento dos membros pode ser simplesmente uma variação leve entre os dois lados do corpo. Isso não é raro na população geral. Por exemplo, um estudo relatou que 32 por cento de 600 recrutas militares tinha uma polegada* de 1/5 a uma diferença de 3/5 de polegadas entre os comprimentos de suas pernas. Esta é uma variação normal. Diferenças maiores podem necessitar de tratamento, porque uma diferença significativa pode afetar o bem-estar e a qualidade de vida do paciente.
*Uma polegada possui 2,54 centímetros.

Causa
Existem muitas causas de discrepância de comprimento dos membros. Algumas incluem:

Lesão anterior de um osso da perna
Um osso de perna fraturada pode levar à uma discrepância de comprimento dos membros, se a fratura cura em posição encurtada. Isso é mais provável se o osso foi fraturado em muitos fragmentos. Também é mais provável se a pele e o tecido muscular ao redor do osso foram gravemente traumatizados, e, o osso foi exposto, como numa fratura aberta.
Ossos fraturados em crianças, às vezes, crescem mais rápidos, durante vários anos, após a sua consolidação. Uma ruptura no osso da criança através do centro de ossificação próximo à epífise de crescimento, pode causar um crescimento mais lento, resultando em uma perna mais curta.

Infecção óssea
Infecções ósseas que ocorrem em crianças, enquanto elas estão crescendo, podem causar uma discrepância significativa no comprimento dos membros. Isto é especialmente verdadeiro se a infecção acontece na infância. Inflamação das articulações durante o crescimento pode causar comprimento desigual nas pernas. Um exemplo é a artrite reumatóide juvenil.

Doenças ósseas (displasias)
Doenças ósseas também podem causar discrepância de comprimento dos membros. São exemplos:

  • Neurofibromatose
  • Exostose hereditária múltipla
  • Doença de Ollier


Outras causas
Outras causas incluem condições neurológicas e inflamação (artrite).
Às vezes, a causa da discrepância de comprimento dos membros é desconhecida, particularmente, nos casos de subdesenvolvimento no lado interno ou externo da perna, ou supercrescimento parcial de um lado do corpo. Estas condições geralmente estão presentes no nascimento, mas a diferença de comprimento de perna pode ser muito pequena para ser detectada. Quando a criança cresce, a discrepância de comprimento dos membros aumenta e se torna mais perceptível.
No subdesenvolvimento, um dos dois ossos, tíbia ou fíbula, é anormalmente curto. Também pode haver problemas relacionados ao pé ou ao joelho.



Hemi-hipertrofia (um lado muito grande) ou hemiatrofia (um lado muito pequeno) são condições raras de desigualdade de comprimento dos membros. Nestas condições, o braço e a perna de um lado do corpo são mais longos ou mais curtos que o braço e perna do lado oposto do corpo. Também pode haver uma diferença entre os dois lados do rosto. Às vezes, nenhuma causa pode ser encontrada. Isso é conhecido como uma diferença de comprimento "idiopática".

Diagnóstico

A desigualdade no comprimento dos membros pode ser medida durante um exame físico e através de raios-x.






Geralmente, o médico observa o nivelamento das espinhas ilíacas ântero-superiores (da pelve), quando a criança está de pé e descalça. Uma série de blocos de madeira, com alturas medidas em centímetros, pode ser colocada sob a perna curta até que a pelve fique nivelada. Se o examinador acredita que é necessária uma medida mais precisa, ele pode usar raios-x (escanometria dos membros inferiores). Nas crianças em crescimento, um médico pode repetir o exame físico e as radiografias a cada seis meses a um ano para ver se a discrepância de comprimento dos membros inferiores aumentou ou permaneceu inalterada.

Uma discrepância de comprimento dos membros pode ser detectada em um exame de rastreio para a curvatura da coluna vertebral (escoliose). Mas a discrepância de comprimento dos membros inferiores não causa escoliose.

Sintomas
Os efeitos da discrepância de comprimento dos membros variam de paciente para paciente, dependendo da causa e do tamanho da diferença.  Diferenças de 3,5% a 4% do comprimento total da perna (cerca de 4 cm ou 2 de 1/3 polegadas em um adulto médio) podem causar anormalidades visíveis ao caminhar. Estas diferenças podem exigir que o paciente se esforce mais para caminhar.

Por isso, existe uma controvérsia sobre o efeito da discrepância de comprimento dos membros sobre dor nas costas (lombalgia). Alguns estudos mostram que pessoas com uma discrepância de comprimento dos membros inferiores têm uma maior incidência de dor lombar e um aumento da suscetibilidade a lesões. Outros estudos não suportam esta conclusão.


Fonte: - Sociedade de reconstrução e alongamento dos membros e Sociedade Pediátrica Ortopédica da Améica do Norte.

Nota:- Esta informação é fornecida como um serviço educacional e não se destina a servir como conselho médico. Quem procura aconselhamento ortopédico ou assistência deve consultar o seu cirurgião ortopédico.
http://www.microsofttranslator.com/static/180700/img/tooltip_logo.gifhttp://www.microsofttranslator.com/static/180700/img/tooltip_close.gif
Original
Limb Length Discrepancy







quarta-feira, 11 de maio de 2016

EXAME CLÍNICO COMPLETO - Musculoesquelético, Neurológico, Abdominal, Cardiológico e Pulmonar

Website com vídeos para exames clínicos completos (Musculoesquelético, Neurológico, Abdominal, Cardiológico e Pulmonar)

Acesse, é só clicar na imagem que você será redirecionado para a página de origem. Aí poderá realizar os downloads dos vídeos.




segunda-feira, 9 de maio de 2016

Espondilose cervical (artrose cervical)




A dor cervical é extremamente comum.
 Ela pode ser causada por muitos fatores e é mais, frequentemente, associada com o envelhecimento.
Tal como acontece com o resto do corpo, os ossos do pescoço (coluna cervical) lentamente se degeneram com a idade.
Isso, muitas vezes, leva à artrose ou osteoartrite.
A artrose do pescoço é chamada espondilose cervical ou cervicoartrose.
Espondilose cervical é a degeneração das articulações da coluna cervical.
A condição ocorre mais freqüentemente com a idade. Mais de 85% das pessoas com mais de 60 anos são portadoras de cervicoartrose.

Embora seja uma forma de artrose, a espondilose cervical raramente se torna uma doença incapacitante.
Compreender a estrutura da sua coluna cervical e como ela funciona pode ajudar você a entender melhor a espondilose cervical.

Causas


Degeneração do disco e projeções ósseas (osteófitos)



Na coluna, a artrose pode aparecer quando o disco degenera e perde o seu teor de água. Em crianças e adultos jovens, os discos são muito hidratados, isto é, têm alto teor de água. Com o envelhecimento, os discos começam a secar e a murchar. Este problema cria um colapso dos espaços intervertebrais pela perda da altura dos discos nesses espaços.

Como as superfícies articulares vertebrais estão cobertas por cartilagem, elas experimentam maior pressão, e, também, começam a se degenerar e a desenvolver osteoartrite, semelhante ao que ocorre com a cartilagem articular do quadril ou do joelho.

Se a cartilagem se desgasta completamente, ela pode levar ao atrito do osso subcondral contra outro osso desgastado. Para compensar a perda da cartilagem, o corpo vertebral reage ao gerar novas superfícies articulares nos ossos para ajudar a suportar o peso das vértebras. Com o tempo, este crescimento ósseo adicional chamado osteófito - pode reduzir o espaço (estenose) por onde passam os nervos.

(Esquerda) Vista lateral de uma vértebra cervical e disco saudável (Direito) A degeneração do disco e sofreu colapso
Fatores de Risco

Vários fatores aumentam o risco de espondilose cervical. Todos estes têm sido associados ao aumento do risco de dor cervical e espondilose:
• Genética: Se a sua família tem uma história de dor cervical.
• Fumar: claramente ligado à dor cervical.
• Ocupação: trabalho com muitos movimentos do seu pescoço e cabeça.
• Questões de saúde mental: depressão, ansiedade.
• Lesão / trauma: acidente de carro ou acidentes de trabalho (quedas, acidentes de   trajeto...)

Os sintomas

A dor causada pela espondilose cervical pode ser leve ou grave. A dor, por vezes, é agravada olhando para baixo ou para cima por muito tempo, ou durante atividades como dirigir ou ler um livro. Ela  melhora com o repouso.

Os sintomas adicionais incluem:
• dor e rigidez no pescoço (pode piorar com a atividade);
• dormência e fraqueza nos braços, mãos e dedos;
• dificuldade de caminhar, perda de equilíbrio ou fraqueza nas mãos;
• espasmos musculares no pescoço e ombros;
• dores de cabeça;
• ruídos / estalos ou sensação de trituração no pescoço com o movimento.

Exame Médico

Determinar a origem da dor é essencial para recomendar o tratamento adequado e a reabilitação. Portanto, um exame completo é necessário para determinar a causa da dor cervical.

O seu médico irá fazer uma história completa das dificuldades que você está tendo com seu pescoço.
Seu médico pode lhe perguntar sobre outras doenças ou lesões que aconteceram seu  pescoço. As perguntas podem incluir: Quando sentiu a sua dor cervical? Você já sentiu essa dor antes? Quando o seu pescoço dói, com que freqüência e por quanto tempo dói? Existe alguma coisa que melhora ou piora a dor? Você estava sempre envolvido em um acidente ou sofreu uma lesão na coluna cervical? Você já foi tratado para dor cervical?

Um exame físico completo inclui a coluna cervical,os ombros, os braços e muitas vezes as pernas. Os testes podem incluir a força muscular, sensibilidade tátil, os reflexos neurológicos (C5,C6 e C7), o fluxo de sangue, a mobilidade do pescoço e dos braços, e também como você caminha. O seu médico pode palpar o seu pescoço, seus ombros, e explorar os pontos de pressão dolorosa ou glândula aumentada (tireoide).

Exames

O seu médico pode completar a sua avaliação com exames de sangue e, se necessário, consultar outros médicos especialistas. Outros exames que podem ajudar o seu médico confirmar o diagnóstico incluem:

Radiografias

Estes estudos tradicionalmente são um primeiro passo na formação de imagens da coluna. As radiografias mostram alterações devido ao envelhecimento, como a perda de altura ou abaulamento dos discos.

Imagem por Ressonância Magnética (RM)
Este estudo pode criar melhores imagens dos tecidos moles, como músculos, discos, nervos e medula espinhal.

A tomografia computadorizada (TC)
Este estudo de raios-X  especializado permite uma avaliação precisa dos ossos das articulações, dos forames de conjugação e do canal medular.

Mielografia

Este estudo de raios-X específico envolve a injeção de um contraste dentro do canal espinal. Isto permite uma avaliação cuidadosa do canal espinhal e as das raízes nervosas.

A eletromiografia (EMG)
Estudos de condução nervosa podem ser realizados por outro médico para possíveis danos ou nervos comprimidos.

Tratamento

O tratamento não cirúrgico

Fisioterapia. O fortalecimento e o alongamento dos músculos enfraquecidos normalmente é o primeiro tratamento indicado. Seu fisioterapêuta também pode usar a tração cervical (tração no pescoço) e a terapia postural. Programas de fisioterapia variam, mas geralmente duram 6-8 semanas. As sessões são programadas duas ou três vezes por semana.

Drogas
Várias drogas podem ser utilizadas em conjunto na primeira fase de tratamento da dor e da inflamação.
• Paracetamol. Dor leve muitas vezes é aliviada por paracetamol.
• Os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). Esses medicamentos são frequentemente prescritos com acetaminofeno, como o ibuprofeno e o naproxeno, e são considerados medicamentos de primeira linha para a dor  cervical.
Eles tratam a dor e a inflamação, e podem ser prescritos por um número de semanas, dependendo do problema específico. Outros medicamentos para a dor podem ser considerados se você tem contraindicações graves para os AINEs, ou se sua dor não está bem controlada.
• relaxantes musculares. Essas drogas tais como ciclobenzaprina ou carisoprodol também são utilizadas no caso de espasmos musculares dolorosos.

Colar cervical. Estes colares restringem o movimento do pescoço e permitem que os músculos do pescoço repousem. Colares macios só devem ser utilizados por curtos períodos de tempo, pois o uso prolongado pode diminuir a força dos músculos do pescoço.

Gelo, calor, outras modalidades. O uso cuidadoso de gelo, calor, massagem e outros tratamentos locais podem ajudar a aliviar os sintomas.

Injeções de corticóide. Muitos pacientes encontram alívio da dor em curto prazo com injeções de esteróides. Vários tipos de essas injeções são realizados rotineiramente.

Os procedimentos mais comuns para a dor cervical incluem:

O bloqueio peridural cervical. Neste procedimento, um medicamento anestésicos esteróides é injetado dentro do espaço adjacente ao processo espinhoso (espaço " epidural"). Este procedimento normalmente é usado para a dor cervical e / ou dor no braço, que pode ser causada por um disco cervical herniado, e que também é conhecida como radiculopatia ("nervo comprimido") ou cervicobraquialgia.



Bloquear a superfície articular facetária cervical. Neste procedimento, um medicamento é injetado com cortisona e anestésicos na cápsula da superfície articular facetária. As superfícies articulares facetárias de união encontram-se na parte posterior do pescoço e proporcionam estabilidade e permitem os movimentos. Essas articulações facetárias podem desenvolver alterações artrósicas que podem contribuir para a dor cervical.

Bloqueio de ramo medial ou ablação interna por radiofrequência.
Este procedimento é utilizado em alguns casos de dor crônica no pescoço.
Ele pode ser usado para o diagnóstico e para o tratamento de uma articulação potencialmente dolorosa.

Durante o procedimento diagnóstico, o nervo que abastece a superfície articular é bloqueado com uma anestesia local (por exemplo, xilocaína ou lidocaína).
O seu médico irá perguntar se a sua dor cervical diminuiu completamente. Se assim for, então o seu médico detectou a fonte de sua dor no pescoço.

O próximo passo é para bloquear a dor de forma mais permanente.
Isso é feito por lesão nervosa por radiofrequência, um processo muitas vezes chamado de ablação por radiofrequência.

Apesar de ser menos invasivas que a cirurgia, as injeções de esteróides são dadas apenas depois que seu médico faz uma avaliação completa. Antes de considerar essas injeções, discuta com seu médico os riscos e benefícios destes procedimentos para sua condição específica.

Tratamento Cirúrgico
É raro que as pessoas que têm apenas espondilose cervical e dor cervical sejam tratadas com cirurgia.
A cirurgia é reservada para pacientes com dor severa que não é aliviada por outro tratamento. Alguns pacientes com dor severa infelizmente são candidatos à cirurgia. Isto é devido à natureza da sua ampla osteoartrite, outros problemas médicos ou outras causas de dor.
Pessoas com sintomas neurológicos progressivos, tais como fraqueza, dormência ou quedas, são mais prováveis de que a cirurgia para ajudá-las.