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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Camisa Inteligente Monitora Postura

A postura corporal é um importante indicador para avaliar a saúde e qualidade de vida de um indivíduo, especialmente na terceira idade. Tecnologias capacitadas para monitorar a postura podem ser um instrumento valioso a fim de prevenir lesões e facilitar o envelhecimento saudável, no entanto, o desconforto de um material rígido fixado à coluna dificulta a aderência a estes aparelhos. Pensando nisso, o Departamento de Desenho Industrial da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, em colaboração com outras universidades, concebeu um dispositivo wearable baseado em tecido. Em forma de camisa, o sistema oferece uma solução portátil para o monitoramento da postura em tempo real.

A peça, que ganhou o nome de Zishi, foi projetada para fornecer uma resposta precisa e informativa acerca da postura torácica do usuário. Equipado com sensores posicionados para detectar múltiplos pontos, o vestuário funciona em conjunto com um aplicativo de smartphone, útil para definir limites angulares para as diversas posições do braço, do ombro e do corpo como um todo. Quando o limite estabelecido é excedido, a roupa promove pequenas vibrações para alertar o usuário. O aplicativo, por sua vez, apresenta uma visualização da postura atual e as instruções para corrigi-la.




A usabilidade do sistema foi verificada através de um estudo conduzido com 50 idosos. Após serem apresentados a um cenário simulado que representa com precisão o uso real da peça, os participantes responderam um questionário para examinar suas percepções pessoais da tecnologia, assim como sua utilidade, facilidade de uso e intenção em utilizar. Os resultados indicaram que, embora existam receios sobre a utilização de tecnologias recentemente desenvolvidas, a maioria demonstrou-se disposto e até mesmo ansioso para vestir a camisa de monitoramento de postura em um futuro breve.

O estudo de avaliação, que confirmou o potencial de Zishi, também identificou uma série de requisitos necessários para extrair maior eficácia do dispositivo entre diferentes grupos de pacientes. O próximo passo será adaptar tais funcionalidades ao aparelho, assim como explorar mais possibilidades de detecção. A expectativa de seus desenvolvedores é que, nos próximos anos, a peça possa se tornar um apoio na prevenção e tratamento da dor espinhal, além de um grande auxílio para a reabilitação de pacientes com lesão medular.


Luva Inteligente Traduz Linguagem de Sinais


Engenheiros da Universidade da Califórnia em San Diego, EUA, desenvolveram uma luva inteligente capaz de traduzir o alfabeto de sinais em texto e transmitir os gestos da linguagem por meio de um controle virtual. O dispositivo, nomeado de “A Linguagem da Luva”, foi construído com menos de US$ 100 utilizando artefatos eletrônicos elásticos e imprimíveis em 3D. Até o momento, o aparato está habilitado para converter a língua de sinais americana, conhecida como ASL.

Para produzir o mecanismo, a equipe utilizou uma luva atlética de couro comum e aderiu sensores elásticos nos pontos das juntas de cada dedo. Feitos de tiras finas de um polímero à base de silício, os sensores são capazes de alterar, esticado ou dobrado, a sua resistência elétrica. Isto permite que o mecanismo codifique diferentes letras do alfabeto de sinais com base nas posições de todos os dedos. Usando uma placa de circuito impressa na luva, o dispositivo também transmite os sinais via Bluetooth a uma tela de um smartphone ou computador.




A luva sem fio pode traduzir todas as 26 letras do ALS em texto. A próxima versão do protótipo está sendo otimizada para contemplar tato, evolução que permitiria o controle e reprodução de sensações táteis virtualmente. Além da decodificação da linguagem gestual, os pesquisadores estão trabalhando para que a plataforma de baixo custo possa ser utilizada em uma variedade de outras aplicações, como teletransmissão e controle virtual de máquinas e outros dispositivos.




Fonte: UCSD

terça-feira, 13 de junho de 2017

Medicina no Campo

Atuação do parasitologista Samuel Pessoa ajudou a criar uma tradição intelectual de compromisso da saúde pública com os mais pobres
A ocupação das áreas rurais do estado de São Paulo, desencadeada pela expansão da indústria cafeeira em fins do século XIX, contribuiu para a degradação das condições de vida nos campos e eclosão de diversas epidemias. Alguns médicos atribuíam esses problemas ao clima tropical do país, outros, à ausência do poder público nessas regiões. Para o parasitologista Samuel Pessoa, no entanto, a situação nos campos precisava ser interpretada à luz de uma abordagem mais ampla, apoiada em uma visão marxista. A onipresença das doenças nas regiões agrícolas, segundo ele, seria consequência da estrutura econômica rural, sendo o latifúndio elemento central para a compreensão das doenças endêmicas do Brasil agrário.
A atuação de Pessoa como médico, professor e militante comunista contribuiu para a institucionalização do ensino e da pesquisa em parasitologia médica e higiene rural no país, em um período em que as condições de vida da população eram deixadas de lado quando se estudavam as doenças que afligiam os brasileiros nos campos. Os documentos que acumulou ao longo de sua trajetória agora estão disponíveis para consulta pública no Centro de Apoio à Pesquisa em História “Sérgio Buarque de Holanda”, da Universidade de São Paulo (USP). São mais de 2.500 itens, como artigos, cartas, fotos, entre outros, todos organizados e digitalizados pela historiadora Aline Lacerda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, em colaboração com profissionais da USP.
Samuel Barnsley Pessoa (1898-1976) nasceu em São Paulo. Ingressou em 1916 na recém-criada Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, uma das unidades fundadoras da USP, em 1934. A instituição à época negociava com a Fundação Rockefeller recursos para a pesquisa e a criação de um laboratório de higiene na instituição, o que ocorreu a partir de um acordo firmado em 1918. Não por acaso, para obtenção do diploma médico, Pessoa apresentou em 1922 um estudo sobre a ancilostomíase, cujo tratamento e prevenção estavam no centro das preocupações da fundação na América Latina.


Trajetória de Samuel Pessoa o consagrou como expoente em parasitologia médica e higiene rural no Brasil
No mesmo ano obteve uma bolsa da Rockefeller para trabalhar em postos de saúde no interior de São Paulo e estudar endemias em regiões agrícolas. “Foi quando se aproximou da realidade das populações rurais de São Paulo, verificando os primeiros indícios da relação tácita entre latifúndio, pobreza, fome e endemias rurais”, conta o cientista político Gilberto Hochman, da Fiocruz, que estudou os arquivos do médico antes de eles serem disponibilizados.
Aos 33 anos de idade, Pessoa tornou-se professor de parasitologia médica na Faculdade de Medicina de São Paulo, assumindo uma das principais posições de ensino e pesquisa médica no Brasil. Formou várias gerações de cientistas, entre eles os parasitologistas Luiz Hildebrando Pereira da Silva, morto em 2014, Ruth e Victor Nussensweig e Erney Plessmann de Camargo. “Pessoa sempre exigia envolvimento social de seus colaboradores”, conta Erney Camargo, pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP. “Mais de uma vez me provocou por eu estar mais preocupado com a pesquisa básica do que com a aplicada à saúde pública.”
Em 1942, Pessoa tornou-se diretor de Saúde Pública de São Paulo e descentralizou a administração sanitária do estado, permitindo maior autonomia local para o controle das doenças rurais. Ficou no cargo até 1944, quando retornou à USP. Sua trajetória como médico e professor desenvolveu-se em meio a acontecimentos políticos importantes, como a Revolução de 1932, a ditadura do Estado Novo (1937-1945) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Contaminado pela efervescência política da época, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB).
Com sua esposta, Jovina Pessoa, em visita à China, em 1952, para análise de denúncia de uso de armas biológicas pelos Estados Unidos
Segundo Hochman, Pessoa ajudou a criar uma área do conhecimento genuinamente nacional. Seus trabalhos sobre as condições sanitárias das populações nordestinas foram fundamentais para a criação do Serviço Nacional de Malária, embrião do Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu). “Com seus assistentes, estudou em todo o país os transmissores da doença de Chagas, leishmanioses e esquistossomose”, afirma Camargo. “Em São Paulo, seus estudos ajudaram a orientar o Serviço de Profilaxia da Malária, criado em 1943.” Pessoa publicou 352 trabalhos científicos, mais de 50 artigos em jornais e nove livros, entre os quais Parasitologia médica, de 1946. A obra tornou-se leitura obrigatória em todas as escolas de medicina do país, com edições atualizadas até 1982.
Em 1952, o parasitologista foi convidado para participar da comissão responsável pela investigação do uso de armas biológicas pelos Estados Unidos na Guerra da Coreia. O trabalho da comissão resultou em um documento de 600 páginas, confirmando o uso de armas biológicas pelos norte-americanos. “Pessoa obteve enorme visibilidade pública por sua participação nesse episódio”, explica Hochman. “Isso lhe custou processos, perseguições pela polícia política e desafetos dentro da Rockfeller e da comunidade médica brasileira”, conta. Após se aposentar da USP, em 1956, Pessoa iniciou um período profícuo de incursões pelo país. Ofereceu cursos de graduação e organizou centros de pesquisas em Alagoas, Sergipe, Bahia, Paraíba, entre outros, até meados dos anos 1970.

terça-feira, 6 de junho de 2017

ESCLEROSE MÚLTIPLA: Pacientes terão novo medicamento


O teriflunomida estará disponível em até 180 dias nas unidades de saúde, devendo atender cerca de 12 mil pessoas em todo o país
Os pacientes diagnosticados com esclerose múltipla terão mais uma opção de tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde incorporou o medicamento teriflunomida. A nova medicação, além de oferecer redução dos surtos e da progressão da doença com menores riscos aos pacientes, será o primeiro medicamento da primeira linha de cuidado, por via oral.
A novidade estará disponível em até 180 dias nas unidades de saúde do país e deve atender, cerca de 12 mil pacientes, que já recebem tratamento na rede pública de saúde, além dos novos casos diagnosticados.
A Esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central (SNC), mais especificamente a substância branca, causando desmielinização e inflamação. Afeta usualmente adultos na faixa de 18-55 anos de idade. No Brasil, sua taxa de prevalência é de aproximadamente 15 casos por cada 100.000 habitantes (1,2). Há quatro formas de evolução clínica: remitente-recorrente (EM-RR), primariamente progressiva (EM-PP), primariamente progressiva com surto (EM-PP com surto) e secundariamente progressiva (EM-SP). A forma mais comum é a EM-RR, representando 85% de todos os casos no início de sua apresentação.
O quadro clínico se manifesta, na maior parte das vezes, por surtos ou ataques agudos, podendo entrar em remissão de forma espontânea ou com o uso de corticosteroides (pulsoterapia). Os sintomas mais comuns são neurite óptica, paresia ou parestesia de membros (refere-se às sensações cutâneas como formigamento, pressão, frio ou queimação), disfunções da coordenação e equilíbrio, mielites, disfunções esfincterianas e disfunções cognitivo-comportamentais, de forma isolada ou em combinação. Recomenda-se atentar para os sintomas cognitivos como manifestação de surto da doença, que atualmente vem ganhando relevância neste sentido.

TRATAMENTO – O SUS atualmente oferece seis medicamentos para o tratamento da doença, são os remédios, betainterferona (1a injetável e1b injetável); fingolimode 0,5mg; glatiramer 20 mg injetável; natalizumabe 300 mg; azatioprina 50 mg e o metilprednisolona 500mg.

Além do novo medicamento, as betainterferonas e o acetato de glatirâmer, que são os medicamentos de primeira escolha, oferecem menores riscos aos pacientes durante o tratamento. As outras opções, fingolimode e natalizumabe são reservados para pacientes que não obtiveram resposta às opções iniciais. O SUS oferece ainda 277 hospitais habilitados como Unidade de Assistência ou Centro de Referência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia, no Brasil.

Síndrome das Pernas Inquietas



Síndrome das pernas inquietas Restless ou excitação são doenças comuns, é uma desordem neurológica que provoca desejo incontrolável de mover as pernas decorrentes de um sentimento de dor, formigamento, formigamento e queimar.

Em metade dos casos, existe uma história familiar; a idade de início é anterior e, em seguida, a gravidade dos sintomas mais importantes. Recentemente, a contribuição de fatores genéticos na etiologia de impaciência foi reforçada pela descoberta de três loci de susceptibilidade localizados nos cromossomas 12, 14 e 9.

Em 1995, a síndrome de pernas inquietas Grupo Internacional de Estudo estabeleceu quatro critérios essenciais para o diagnóstico desta doença.

Critérios de diagnóstico da síndrome Restless do despertar.

  • Necessidade irresistível para mover-se associada com a presença de parestesias / disestesias.
  • Normalmente eventos bilaterais, sentidos principalmente nos membros inferiores e descrito por expressões como formigamento, sensação de aperto, formigamento, dormência, geralmente tipo indolor.
  • Presença exclusiva ou agravamento de sintomas no repouso e alívio, pelo menos parcialmente, pelo movimento.
  • Atividade motor repetitivo (inquietação motora) expressões de espontânea ou deliberada, para aliviar a parestesia.
  • Sintomas preferenciais ou agravamento da noite ou durante a noite.


Os estudos polissonográficos mostraram que em 80% dos casos, foi associada com a síndrome de vigília Restless de movimentos periódicos das pernas durante o sono. Além disso, o sono noturno é frequentemente interrompida, causando fadiga e sonolência excessiva.

Quem é afetado?
Na América do Norte e na França, cerca de 1 em cada 10 sofre de síndrome das pernas inquietas. De acordo com estudos epidemiológicos, seria mais comum em algumas populações: o caso do Norte italianos e franco-canadenses. Em Quebec, 15% das pessoas com essa síndrome. Isto é devido a uma anormalidade genética, transmitido a partir de uma geração para a outra.

O idiopica ( causa desconhecida )
A idade de início é geralmente na terceira década, mas pode ocorrer mais cedo ou mais tarde. Embora a síndrome das pernas inquietas é uma condição crônica, sua intensidade varia ao longo da vida, o que pode tornar alternam períodos de exacerbação e relativa calma. Os movimentos podem ser de interesse, especialmente em casos graves, os membros superiores de 22 a 50% dos casos.

Formas secundárias 
A maioria da síndrome das pernas inquietas é idiopática. No entanto, várias associações patológicas têm sido relatados formas sintomáticas têm características clínicas semelhantes de formas idiopáticas.
Insuficiência renal, especialmente se for dialisados, gravidez, especialmente durante o último trimestre, a deficiência de ferro com ou sem anemia, deficiências de vitamina B12 ou folato, diabetes, neuropatia periférica, artrite reumatóide, certa doenças degenerativas (Parkinson, ALS), medula espinal e, finalmente, com algumas drogas (inibidores de recaptação de serotonina, antidepressivos tricíclicos, lítio).

Tratamento da toxicodependência
O tratamento utiliza diferentes tipos de moléculas: tratamento dopaminérgico, benzodiazepinas, opióides, alguns anti-convulsiva. O L.dopa combinado com um inibidor de descarboxilase dopa (Modopar® ou Sinemet®), é um tratamento simples na medida em que ele é desprovido de efeitos colaterais significativos.

A suplementação de ferro e ácido fólico, possivelmente, embora pareça que melhorou impaciência ocorreu durante a deficiência de ferro (ferritina <50 microgramas / L) ou anemia megaloblástica, não melhorou a impaciência idiopática.

efeitos terapêuticos significativos foram relatados com morfina, codeína, metadona e tramadol. Um estudo da propoxifène mostrou nenhum efeito benéfico.
Este tipo de tratamento é controverso, devido ao risco de dependência e vício associado com estas substâncias. É a priori reservado para pacientes com sintomas graves não melhoradas por outros métodos.